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Missionário e bispo africano.
Crowther nasceu com o nome de Ajayi em Osogun, entre os Egba, parte do povo Yoruba, onde hoje é a região oeste da Nigéria. Na idade de treze anos foi levado como escravo pelos cavaleiros muçulmanos Fulani e Yoruba e vendido varias vezes até que foi comprado pelos mercadores portugueses para o mercado alem do mar. O seu navio foi interceptado por uma patrulha anti-escravista da marinha britânica e os escravos foram liberados na Serra Leona. Lá ele tornou-se cristão, e foi batizado recebendo o nome de um eminente clérigo da Inglaterra, Samuel Crowther. Foi um excelente estudante, chegou a ser professor na missão e um dos primeiros alunos do Instituto Fourah Bay, fundado pela Sociedade Missionária Eclesiástica (CMS, Church Missionary Society) em 1827 a fim de treinar líderes da Serra Leona para o serviço cristão. Auxiliou John Raban e (provavelmente) Hannah Kilham nos seus estudos de línguas africanas, e em 1841, fez parte e contribuiu significativamente na Expedição do T. F. Buxton ao Níger como representante da CMS. Cursou no seminário da CMS em Londres a preparação para ordenação em 1843, o que é uma referencia para o ministério anglicano. Associado com Henry Townsend e C. A. Gollmer começaram uma nova missão em Yorubaland, com sede em Abeokuta, a terra natal de Crowther entre o povo Egba. (Descobriu alguns parentes lá e foi usado na conversão da sua mãe de sua irmã). O seu papel na produção da Bíblia Yoruba, a que tornou--se padrão para posteriores traduções africanas foi crucial. A visita do Crowther à Grã Bretanha em 1851 influenciou a visão do governo, da igreja e da opinião pública sobre à África. O secretário da CMS, Henry Venn, viu em Crowther o potencial para uma demonstração da viabilidade de igrejas africanas independentes, com gestão, financiamento e crescimento próprios e em 1857 o enviou para a abertura de uma nova missão no Níger. Todos os funcionários eram africanos na sua maioria da Serra Leona, então Venn começou uma versão anglicana do padrão dos "três auto" e nomeou Crowther como: "Bispo dos paises do Oeste da África sob os domínios da Rainha." Nos territórios superiores e centrais do Níger, Crowther foi o pioneiro num modelo inicial de dialogo cristão-muçulmano no contexto africano. Ele supervisou o trabalho desbravdor do J. C. Taylor em Igoland e dirigiu a evangelização no delta do Níger, obtendo resultados notáveis tais como o centro Bonny.
Em 1880 nuvens obscuras ofuscaram a missão no Níger. Crowther estava velho, Venn tinha falecido, a moralidade e a eficiência dos membros da equipe do Crowther foi crescentemente colocada em dúvida pelos missionários britânicos. A somatória das políticas missionárias, de atitudes racistas e da espiritualidade evangélica marcaram novos rumos, simultaneamente surgiram novas fontes de missionários europeus dispostos a ocupar espaços. Pouco a pouco, a organização missionária de Crowther foi desmontada mediante: cortes financeiros, pela ocupação de espaços por jovens missionários europeus, os membros africanos foram sistematicamente, demitidos, suspensos e transferidos. Desolado, Crowther, morreu de derrame cerebral. Um bispo europeu o substituiu.
Parte da Missão do Níger manteve sua autonomia como a Igreja do Pastorado do Deltado Níger, sob os cuidados do filho de Crowther o Arquidiácono D. C. Crowther e pelo menos um dos missionários europeus, H. H. Dobinson, se arrependeu dos seus julgamentos precipitados. Todos reconheceram a obra e dedicação a Deus de Crowther, a importância e o seu lugar na historia da tradução da e da evangelização tem sido freqüentemente pouco valorizada.
Andrew F. Walls
Este artigo foi reproduzido com a permissão do Biographical Dictionary of Christian Missions copyright © 1998, by Gerald H. Anderson, W. B. Eerdmans Publishing Company, Grand Rapids, Michigan. Todos os direitos reservados.
Este artigo foi traduzido da língua inglesa por Cloves Cardozo Carreira (clovescardozo@hotmail.com), tradutor e intéprete, Florianópolis, Santa Catarina, BRASIL.