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O Rev. Samuel Hlambelane Macuyane Manhique começou a trilhar o caminho do Senhor quando tinha quinze anos, ainda que os seus pais não quisessem que ele fosse cristão. Isto aconteceu em Chicumbane sob o ministério do Pastor Filemom Mundlovu. Ele deu graças a Deus por ter o Senhor enviado um pregador a essa área onde as trevas eram tão densas. Ele disse que nunca havia de esquecer o grande avivamento de 1928 e 1929, que começou em Njatigue, quando o Rev. Gaza (Jenkins) estava ali e muitos crentes se estabeleceram verdadeiramente na fé. Ele foi atingido por esse avivamento e testemunhou, "Dou graças a Deus pelo Espírito do Senhor que vive no meu coração."
Dois anos depois, ele foi trabalhar como estafeta em Mpfumo (Maputo) e permaneceu ali por dezenove anos. Não havia igreja na localidade e os crentes eram escassos. Ele foi ajudado grandemente pelo Senhor Professor Vasco Mondlane e o Senhor Mateus Mucavele Zeula, que dirigiram cultos de oração. Em 1932, ele foi batizado na igreja de Chipaja, cujo pastor era Isaque Mandlate.
Manhique encontrou-se com uma jovem linda, Raquelina (?-1993), natural de Muhetani, que veio a ser sua esposa. O Senhor abençoou o seu lar com quatro filhos e cinco filhas. Eles foram pastorear em Chipaja em 1949 e inscreveram-se no Intituto Bíblico de Tavane em 1954.[1] A Missionária Lorraine Schultz "Dez para as oito"[2] era a diretora do colégio, cargo que desempenhou até 1975. O Rev. Manhique foi ordenado pelo Dr. Samuel Young em 1955.
Um dia, dois homens que se diziam crentes viajavam de Bucasha até à cidade. As pessoas sorriam enquanto os dois fardos embrulhados em pano foram colocados no teto do autocarro. Os dois homens ficaram surpreendidos quando encontraram o Rev. Samuel Manhique, que já estava assentado ao lado da janela. O autocarro deu um solavanco, os fardos partiram-se e Manhique ficou todo encharcado pelo líquido que entornou e entrou pela janela adentro. Era álcool feito do fruto de caju, em recipientes camuflados. Os dois homens, humilhados, pediram muitas desculpas e disseram que pretendiam ganhar dinheiro para os seus dízimos e ofertas para a igreja depois de o venderem na cidade. Manhique não tinha levado roupa com ele para mudar; portanto quando se levantou para pregar, trazia ainda o cheiro forte do álcool. Entretanto, o cheiro serviu como ilustração poderosa para a sua mensagem.[3]
O Sr. Samuel Manhique e o Pastor Arão Boca dirigiram cultos para crianças durante uma campanha evangelística em que o Rev. Isaque Mandlate e o Rev. Benjamim Langa eram os pregadores, em 1958. Na sexta-feira da última semana, cerca de cem rapazes e raparigas começaram a orar, chorando e louvando a Deus, e não queriam parar. O Sr. Samuel Manhique foi o servo que o Senhor usou para este grande avivamento. Foi o orador principal na igreja para as crianças, improvisada na sala de aulas da Casa Alegre. Ele havia pregado sobre os pecados de furtar e desobedecer aos pais, estando as crianças em casa. Elas, de novo, começaram a orar fervorosamente, no sábado, dia sete de junho.
Três missionárias: as Senhoras Mary Cooper, Bessie Grose "Polisiman" e Lorraine Schultz, foram visitá-los durante o culto do domingo à tarde, na sala de aula. Algumas crianças estavam de pé, junto dos bancos, outras estavam ajoelhadas, e outras ainda estavam de mãos levantadas. Algumas cantavam; outras louvavam a Deus em voz alta; e outras oravam ou choravam, em voz baixa. No meio desta grande onda de bênçãos havia uma ordem santa e uma sensação invulgar do poder de Deus. Desde aquela sexta-feira até ao fim, as crianças iam continuamente aos pais e professores e confessavam os males escondidos... O testemunho delas era, "Ele chegou!"
No Colégio Bíblico, segunda-feira de manhã, nove de junho, cerca de vinte e cinco tinham-se reunido para a oração matinal. Enquanto o Rev. Samuel Manhique e o Rev. Arão Boca relatavam os acontecimentos da tarde anterior na igreja das crianças, parecia que alguns estudantes haviam sido atingidos por um choque elétrico e alguns caíram de joelhos. Uma testemunha ocular relatou: "Houve ali um novo Pentecostes; alguns estudantes, de pé, choravam, louvando a Deus, enquanto outros se achavam de joelhos em oração. Não havia evidência alguma de fanatismo desordeiro, mas sim uma onda profunda e nova do Espírito Santo no nosso meio."
Estudantes, mulheres e homens, jovens, maridos e esposas, corriam para frente da sala de aulas a chorar e a orar. Os crentes andavam em volta da sala, dando graças a Deus, por esta visitação. O barulho foi ouvido na vizinhança e nos campos, e as pessoas corriam a ver o que se passava. Aqueles que sentiram coragem de entrar, uniram-se em oração, enquanto as carteiras iam sendo empurradas para os lados, para que houvesse lugar.
O Rev. Isaque Mandlate tinha amarrado o seu burro fora, pronto a partir para Chipaja, e tinha chegado apenas para se despedir, mas só conseguiu sair na quinta-feira. Três horas se passaram e, então, à uma hora da tarde, todos marcharam para a igreja cantando: "Ó, quanto amo a Cristo.". As pessoas de fora começaram a chegar, e a oração continuou até às catorze horas. Então o Rev. Noé Mainga despediu a reunião e anunciou que as reuniões haviam de continuar naquela tarde. Os cristãos espalharam-se pelas casas vizinhas para anunciar que as reuniões haviam de continuar.
A igreja estava à cunha naquela tarde; e na terça-feira mudaram para o tabernáculo. Houve pouca pregação e o avivamento continuou até a noite da quarta-feira, 11 de junho. O filho do Sr. Isaque Mandlate, que se chamava Simeão, alcançou gloriosamente a conversão. "Em tudo isto houve perfeita ordem, sem qualquer manifestação de falar em línguas estranhas."[4]
Durante os cinco meses seguintes houve erupções semelhantes nas igrejas locais e nas reuniões dos jovens em todo o país. Muitos jovens foram salvos e santificados tornando-se depois pregadores e líderes na Igreja Moçambicana nos anos de prova que se seguiram.[5] O Rev. Manhique disse: "Eu fui grandemente fortalecido e sustentado na fé pelo poder desse avivamento.". Em 1998 o Rev. Benjamim Langa relatou do avivamento: "Isto constituiu a segunda fundação da Igreja do Nazareno em Moçambique, fato de que ainda nos lembramos hoje."[6]
O Rev. Samuel Manhique foi ordenado em 1958 pelo Superintendente Geral Dr. Samuel Young e veio a ser um líder da zona no Distrito de Tavane (Norte). Ele era excelente pregador.
Paul S. Dayhoff
Este artigo é reproduzido, com permissão do livro Living Stones In Africa: Pioneers of the Church of the Nazarene, edição revisada, direitos do autor © 1999, por Paul S. Dayhoff. Todos os direitos reservados.
Este artigo foi traduzido da língua inglesa pelo Rev. Roy Henck, missionário reformado para Cabo Verde, e pelo Rev. António Barbosa Vasconcelos, pastor cabo-verdiano.